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Como a fotografia de paisagem mudou minha forma de enxergar a vida

  • Foto do escritor: Ale Rodrigues
    Ale Rodrigues
  • 15 de jun.
  • 4 min de leitura
Onda espumosa avançando sobre a areia, com tons rosados e bege em movimento suave.

Talvez a maioria saiba, mas nem todos. Eu me formei em engenharia mecânica e trabalhei durante muitos anos em uma empresa multinacional. Minha vida era organizada, previsível e, de certa forma, confortável. Porém sentia que algo estava faltando, que não estava certo.


Eu ainda não sabia, mas a fotografia de paisagem mudaria completamente minha forma de enxergar a vida. Nem começou com a paisagem, começou com meu contato com a natureza, mais especificamente com o mar. Enquanto eu surfava, me conectava mais com o ambiente natural e com as primeiras fotografias de surf.


Não aconteceu de uma vez né? Não houve um momento exato em que tudo mudou. Foi um processo construído em madrugadas muitas vezes frias, algumas caminhadas e incontáveis amanheceres observando a natureza.


Hoje percebo que a fotografia me ensinou a viver no momento presente.



Aprendi que nem tudo está sob nosso controle


Se você não conhece o estoicismo, saiba que ao meu ver ele é a corrente filosófica que mais tem a ver com a fotografia. Pois ela fala justamente do que podemos controlar, o que está a nosso alcance.


Quando comecei a fotografar paisagens, eu acreditava que bastava estudar bastante, comprar o equipamento certo e planejar tudo, acertar a exposição, usar o filtro correto e manjar a composição.


Mas a natureza não funciona assim. Perceba. Olha como tudo na natureza é caótico e parece que somos nós que através do nosso olhar damos alguma "ordem" nas coisas. Você pode viajar centenas de quilômetros e encontrar chuva. Pode acordar às três da manhã e não haver cores no céu. Pode esperar horas pelo momento perfeito e voltar para casa sem nenhuma fotografia.


No começo isso me frustrava, ficava com raiva mesmo, depois comecei a entender que a vida também é assim, nem tudo acontece no nosso tempo, nem tudo pode ser controlado, existe uma grande serenidade em aceitar isso.


A fotografia de natureza me ensinou a fazer a minha parte e a receber com gratidão aquilo que a natureza decide oferecer.



Aprendi a ir mais devagar


É sempre aquela pressa, não é verdade? Mas pressa pra que? Pra onde? Muitas vezes estamos tão no automático que sequer paramos um momento pra respirar fundo e olhar pra nós mesmos, queremos resultados rápidos, reconhecimento imediato e respostas instantâneas.


Mas a fotografia de paisagem exige outro ritmo. Pode perceber, ela parece que pede silêncio, observação e paciência.


Tem algo especial em chegar sozinho a uma praia ainda escura, ouvir apenas o som do mar e esperar pelo nascer do sol sem saber exatamente o que irá acontecer. Estou falando aqui do mar, mas você pode se identificar com uma floresta, um parque ou até o silêncio das montanhas.


Esses momentos se tornaram uma espécie de meditação para mim.


Passei a valorizar mais os pequenos detalhes: a mudança da luz, o movimento das nuvens, a textura das pedras e da areia, o cheiro da maresia, a umidade do ambiente. Passei a perceber coisas que antes simplesmente ignorava.


Na minha opinião, é uma das maiores riquezas de fotografar na natureza: aprender a estar verdadeiramente presente. Viver o momento. Esquecer o resto.



Descobri que a melhor fotografia não é a que rende mais likes


Durante muito tempo procurei a fotografia perfeita, a luz certa, a composição certinha. Mas algumas das imagens mais importantes que fiz não são necessariamente as mais impressionantes nem as que renderam mais likes ou visualizações na internet.


São aquelas que me lembram quem eu era naquele dia, qual era meu estado de espírito. A madrugada em que enfrentei o frio sozinho. A viagem que parecia perdida por causa da chuva. A paisagem que me fez ficar em silêncio por alguns minutos apenas contemplando. Essas fotografias carregam memórias, histórias e principalmente: transformações. Transformações internas.


Hoje acredito que a fotografia de paisagem não serve apenas para registrar lugares bonitos. Vejo como fui mudando ao longo destes anos e acredito que a função dela é registrar quem eu estou me tornando ao longo do caminho, como uma biografia em forma de imagem.



As melhores experiências não estão nas fotografias


Ao longo dos anos tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis em workshops de fotografia de paisagem e em expedições fotográficas. Gente de todo o canto do Brasil e até do mundo. Pessoas de diferentes idades e profissões, mas que compartilham algo em comum: a vontade de viver experiências genuínas na natureza. É interessante perceber como, depois de algum tempo, as conversas deixam de ser sobre câmeras e ajustes e passam a ser sobre sonhos, sobre escolhas, sobre ir mais devagar encontrando equilíbrio naquilo que olha.


As fotografias continuam importantes, claro, mas muitas vezes aquilo que levamos para casa é invisível.


É a sensação de ter assistido ao nascer do sol.

É a amizade construída durante uma viagem fotográfica.

É a certeza de que existem lugares no mundo capazes de nos lembrar do que realmente importa.



Continuo aprendendo


Depois de tantos anos fotografando, ainda me emociono com um amanhecer. Claro que ainda sinto ansiedade antes de uma saída fotográfica. Ainda volto para casa sem a fotografia que imaginei. E de boas, tá tudo tranquilo. Sabe por que? Porque hoje entendo que a fotografia me ensinou a ser paciente, a observar, a aceitar aquilo que não posso controlar (lembra do estoicismo que mencionei lá encima?) e me ensinou algo que tento não esquecer:


Às vezes passamos a vida inteira procurando lugares extraordinários, quando a verdadeira transformação acontece dentro de nós, silenciosamente, enquanto esperamos a luz certa surgir no horizonte. Aquela luz que mexe com a gente e revela nossa emoção e nossos sentimentos.


Se você gosta deste assunto de estoicismo, recomendo a leitura do livro (leia uma lição por dia durante 1 ano e quem sabe, repita): Diário Estóico: 366 lições sobre sabedoria, perserverança e a arte de viver de Ryan Holiday e Stephen Hanselman.


E se você deseja viver experiências fotográficas na natureza, conhecer novos lugares e evoluir na fotografia de paisagem, acompanhe meus workshops de fotografia e expedições fotográficas. Será um prazer compartilhar essa jornada com você.


Nos vemos no próximo artigo.


Abraços e bons momentos (com ou sem a câmera)

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