Diário de viagem - Patagônia Chilena setembro de 2025
- Ale Rodrigues

- 24 de out. de 2025
- 12 min de leitura


1º dia - 23 de setembro de 2025
Estou com uma câmera de médio formato da Fuji (GFX100SII) em mãos, a Fujifilm do Brasil me emprestou por um período de 1 mês para eu realizar meus testes e eu havia solicitado especificamente para esta viagem. Junto com a câmera 2 lentes, uma grande angular e uma teleobjetiva.
O dia não começou bem. A LATAM atrasou o primeiro voo e no aeroporto em Santiago, fizeram todos retirar as malas para despachar novamente, o que fez com que eu perdesse o voo para Punta Arenas.
Me colocaram no voo das 09:30 ao invés das 04:35 quase não dormi e estou muito cansado agora que estou escrevendo, um cansaço acumulado.
Peguei o carro alugado em Punta Arenas e vim dirigindo até Puerto Natales, no caminho fui só eu com meus pensamentos observando a vasta e imensa paisagem e divagando sobre a fotografia. Não encontrei nada que me chamasse a atenção para parar e fazer uma foto e sendo assim cheguei as 16:30 em Puerto Natales. Mal avisei a Letícia e o Jorge (que está na Hosteria Pehoe em Torres del Paine) e já me preparei para minha 1ª sessão de fotos no final de tarde na região dos Piers (Muelles) aqui em Puerto Natales. Já me questionei inúmeras vezes porque eu gosto tanto de fotografar os Piers, Trapiches, Muelles, etc... Não acho uma resposta e continuo perguntando, o que me motiva a continuar clicando e encontrando novas perguntas, pois são as perguntas que nos movem.
Fiquei satisfeito com as fotos que eu fiz de estréia com a câmera médio formato digital da Fujifilm ainda estou me acostumando com o uso mas hoje já percebi que vou utilizar mais o crop do que eu pensava. Vou tomar um banho e me preparar para amanhã fotografar o mesmo local, mas com menos pessoas e outra condição de luz. Boa noite.

2º dia - 24 de setembro de 2025
Acordei cedo, como de costume e tive um sonho que me lembrou da minha infância quando eu tinha uns 4 anos de idade, meus pais assistindo TV na sala e eu no andar de cima da casa que a gente morava na Vila Formosa e eu não conseguia dormir, estava com insônia e ficava esperando eles na escada, falando que eu não conseguia dormir.
Coloquei minha mochila com os equipamentos no carro e fui tomar café da manhã no hotel. Um café da manhã simples e que por sorte seria antes do nascer do sol, pois o café começava as 06:00 e a blue hour nesta época as 07:00, após o café fui com o carro até a região dos piers e desta vez foquei no último pier que tinha ido ontem (Mulle Viejo), aguardando o nascer do sol.
Era uma manhã gelada (2ºC) e parcialmente nublada, fiquei aguardando a luz do sol banhar as montanhas ao fundo de minha foto e usando o pier como elemento e as vezes algumas pedrinhas no lago. Fiz algumas fotos e já estava para voltar e guardando os equipamentos no carro, quando algo me disse para esperar mais um pouco (intuição?) ; corri para olhar novamente e as montanhas estavam ficando rosadas! Saí correndo para pegar novamente a câmera que já tinha guardado e fiz a foto.
Fui até o posto de gasolina, enchi o tanque, fiz checkout na pousada/hotel e fui em direção a Hosteria Pehoe onde ia encontrar o Jorge. Quantas paisagens lindíssimas no meio do caminho. Não aguentei e parei pelo menos umas 3 vezes para filmar e fotografar.
Cheguei na hosteria Pehoe e não tinha vento e o visual era deslumbrante em mais um dia ensolarado. Encontrei com o amigo Jorge e decidimos ir até o mirador Lago Grey, onde fizemos algumas fotos a tarde.
Após, fomos até o hotel no Rio Serrano para fazermos checkin e o visual de cima do mirador era incredível! Esse mirador funcionava tanto no por quanto no nascer do sol. Fizemos checkin e voltamos ao mirador para umas fotos no por do sol.
Valeu muito a pena e foi um dia muito produtivo e de reencontros. Reencontro com o amigo e com a minha criança. O que será que vem pela frente? A medida que escrevo agora, falei para o Jorge assistirmos o meu último vídeo no canal no YouTube sobre os Lençóis Maranhenses. Banho, escovar os dentes, carregar bateria da câmera e capotar. Amanhã tem mais.

3º dia - 25 de setembro de 2025
Acordei cedo, que novidade! Eu e Jorge fomos até a região do Explora Hotel, conseguimos fotografar o amanhecer com um lindo reflexo no lago e com as montanhas ao fundo, até agora fiz uma das fotografias que mais gostei da viagem.
Foi uma experiência memorável de estar neste local. Praticamente sem vento e algumas nuvens completavam o clima da montanha, aproveitamos ao máximo aquele lugar, me senti muito próximo da natureza e foi quando eu vi uma coruja que me chamou a atenção. Ela estava paradinha em um galho olhando para mim, me aproximei e cheguei bem perto, quase a 1 metro de distância, fiquei filmando ela e nada dela sair, só virava a cabeça.
Voltei a fotografar e só depois ela saiu voando, normalmente o oposto do que acontece.
Subi na passarela (boardwalk) e fiz mais algumas fotos, indo em direção ao salto chico, fiz uma foto ali e voltamos ao hotel para um café da manhã reforçado e mais tardio. Voltamos ao parque Torres Del Paine novamente após o café e exploramos o Salto Grande, Laguna Melizas e a trilha ao Mirador Cuernos (não fomos até o final, pois havia uma caminhada longa e minhas pernas estavam cansadas e eu estava sem água!).
Fiz uma foto na laguna Melizas totalmente inesperada, com um resultado minimalista que eu realmente gostei demais. Logo antes desta foto estava me sentindo aflito, como se não estivesse conseguindo aproveitar bem o lugar, com dificuldade de compor e me cobrando demais. A resposta veio em forma de fotografia, mostrando que logo após uma dificuldade vem o resultado esperado.
Fomos também até o mirador do lago Nordenskjold, mas nada nos chamada a atenção para uma composição fotográfica naquele momento, a não ser a belíssima cor azul turquesa do lago. Encontramos guanacos muito gente-fina, deixavam a gente se aproximar bastante e acabei filmando vários deles, com bastante takes para o vídeo.
Exploramos diversos outros locais na redondeza, vendo o que valia a pena, oscilamos da frustração de termos ido e andado quase 7km no total a realização ao pararmos em um local com uma vista diferenciada do lago Pehoe com los cuernos ao fundo, e algumas pedras como reflexo. Passarinhos se aproximavam de nós e quase era possível pegá-los na mão de tão perto que estavam, me fez lembrar a coruja de manhã e perceber que devido a pouco presença humana nessa época, parece que os animais se aproximam mais, me senti muito mais conectado com a natureza do local e percebi como estamos desconectados deste ritmo vivendo em grandes cidades.
Estar na natureza é um privilégio, somos seres naturais e recebi vários sinais de que o que eu faço é um caminho natural...Por fim já muito cansados resolvemos parar em um local mais afastado, porém ainda no lago Pehoe e que vista grandiosa de tirar o fôlego. Fomos surpreendidos com aquele cenário, um pouco mais afastado da rota tradicional. Gostamos tanto do resultado do dia que chegamos de volta ao hotel, jantamos e resolvemos pular a sessão de fotos do por do sol, afinal o dia tinha sido muito bem aproveitado e cansativo, mas com muitas sutilezas para o olhar e o coração mais atento a paisagem.

4º dia - 26 de setembro de 2025
Hoje acordei me despedindo do Jorge, ele ia fotografar aqui perto do Hotel e já teria que voltar para pegar o voo de volta, eu por outro lado fui sozinho em um local mais distante, 1 hora e 15 minutos até a laguna amarga para fazer uma foto com as Torres que ainda não havia feito e também explorar o lugar e outros que tinha marcado.
Um deles era a laguna azul 20 minutos próxima da laguna amarga.
Chegando na Laguna Amarga as 06:45 tomei meu café da manhã sem café rs, e devorei a caixa de café da manhã que o hotel havia preparado. Fotografei sem ninguém por perto o lindo reflexo das Torres no lago em mais um dia sem vento e com reflexos por onde eu passava como verdadeiros espelhos. Fui até a laguna azul e que lugar! Um dos mais exuberantes que encontrei aqui em Torres Del Paine até o momento.
Já eram quase 09:30 e a luz estava mais dura, mas batia de frente para as torres, aproveitei e fiz mais um reflexo das montanhas só que em um lago menor mais protegido do vento que começava a querer entrar. Chegaram 4 fotógrafos - um argentino, um mexicano, um espanho e um chileno que os estava guiando, dei um hola que tal e o chileno disse que me viu passar com o carro na estrada no momento que estavam fotografando um Puma no caminho entra a laguna amarga e a laguna azul!
Eu vi eles parados lá e pensei.. bom devem estar fotografando algum animal, guanaco ou puma, pois estavam com grandes teleobjetivas. Me perguntei: seria um puma? Bingo, me mostraram algumas fotos e o vídeo do puma se escondendo. Ele até me deu algumas dicas para fotografar e avistar o puma, como por exemplo ir cedo e dirigir bem devagar e ficar atento.
Explorei mais alguns locais como o Lago Sarmiento e outros diversos pontos de parada como o lago dos cisnes, onde fiz uma foto panorâmica, aproveitando que o lago estava imóvel sem vento. Parei em outros inúmeros locais, alguns não valiam a pena e outros talvez com uma luz melhor. Voltei ao hotel para um almoço, almocei e descansei, meu corpo estava muito cansado.
Depois resolvi ir em mais 3 locais mapeados, próximos ao hotel no final da tarde. Nenhum deles renderam grandes fotos. Talvez esse dia me deu um lembrete de persistir, de ter paciência e sobretudo desacelerar, como o guia chileno dos pumas me alertou. Desacelere e entre no ritmo da natureza que eles aparecem! Desacelerar? Então vamos fazer mais fotografias de longas exposições :)
Estive hoje também refletindo e pensando os prós e o contras de ir na trilha da base das torres. Dois aspectos me fizeram desistir dessa empreitada. O primeiro era que a previsão do tempo estava muito ruim para os próximos 3 dias, com ventos chegando a 110km/h e com chuva, sofrer todo esse caminho com previsão de 100% de chuva e sabendo que ia estar tudo fechado é correr muito risco.
Claro que a caminhada sempre vale a pena, mas existia um risco não só de estar fechado, mas do risco de segurança na trilha em si, as vezes eles fecham as trilhas quando os ventos ficam muito fortes. O segundo aspecto é que 10km para ir e 10km para voltar, seriam 20km de trilha sozinho para pegar o nascer do sol eu teria que sair aqui do hotel as 01:30 da madrugada. Eu sou aventureiro, destemido, corajoso, mas há certos limites que eu não passo.
Amanhã por exemplo será uma trilha curta de 30-40minutos para ir no escuro e sozinho, mas é um risco calculado. Agora é descansar após ter revisto como foi esse dia.

5º dia - 27 de setembro de 2025
Hoje o despertador não tocou no horário, eu costumo deixar 2 despertadores, um para o dia da semana e outro para o final de semana, mas como estou viajando eu me perco nos dias da semana e nem me toquei que era sábado! Por um lado foi bom, pois descansei mais 1 hora, já tomei café e fui até uma trilha, do mirador cuernos, dessa vez até o final.
Fui sozinho nesta trilha e voltei sozinho, apenas com a companhia dos pensamentos, dos passarinhos das abelhas, e da minha respiração. Nem o vento uivava hoje.Fiz fotos durante o trajeto, mas ao chegar no mirante nada me chamou muito a atenção, não que o local não seja bonito, é lindo e uma das vistas mais espetaculares da Patagônia Chilena.
Mas o que eu senti no momento foi de apenas sentar e contemplar a vista. Fiquei um bom tempo só apreciando a vista e fiz apenas uma foto com a Fuji e com uma teleobjetiva. Quando volto no começo da trilha encontrei muitos turistas, finalmente algum sinal de vida humana. Olhando para trás os cuernos já estavam fechados de nuvens e começou a chover mais forte assim que entrei no carro.
Ao chegar no hotel tive que fazer checkout e esperar algumas horas para fazer checkin em um outro quarto mais simples. Aproveitei para estudar os planos para esta tarde e amanhã pela manhã. Fui ao redor do rio Serrano fazer umas fotos, antes disso choveu, abriu sol, ventou, voltou a ficar nublado, garoou e depois continuou nublado. Essa é a Patagônia que conheço!
Estou receoso do clima amanhã com rajadas de vento fortíssimas e talvez geada com temperaturas caindo. Ainda assim pretendo ir até a Cascada do rio Paine, vamos ver como vai ser. Mas não irei no nascer do sol, primeiro que é mais afastado, segundo que tem previsão de 100% de nuvens, mas mesmo assim decido ir, a não ser que esteja uma tempestade após eu tomar café.
Ainda tenho combustível suficiente para ida e volta amanhã. Mas para o retorno a Puerto Natales já não sei. Veremos!

6º dia - 28 de setembro de 2025
Hoje foi um dia muito criativo para mim, acordei com a música do filme do Homem-aranha 2 na cabeça, aquela que diz: raindrops keep fallin on my head... do BJ Thomas (gotas de chuva continuam caindo na minha cabeça), acordei com chuva e um céu totalmente nublado, temperatura caiu bastante e fiquei com receio de ir até a Cascada do rio Paine sozinho e com ventos muito fortes e ainda por cima risco de geada no solo.
Consultei a minha intuição e dizia para não ir. Então a música me deu uma idéia: e se eu gravar um dia todo aqui no hotel, de maneira leve e divertida, aproveitando o momento presente, mesmo que fosse um dia sem fotografia, um day-off. Foi o que eu fiz!
Filmei desde eu acordando, escovando os dentes, tomando café, indo na piscina, sauna, etc... o dia passou voando e eu não fiz apenas para filmar eu filmava um pedaço mas o restante eu efetivamente aproveitava. Li livro, fiz backup de algumas fotos, limpeza dos equipamentos, jantei e programei como seria o meu dia de amanhã.
Uma pena que não posso utilizar essa música nesta parte do meu vídeo da Patagônia Chilena, pois seria incrível essa trilha sonora combinaria demais com o dia chuvoso que tive aqui, mas nem por isso fiquei resmungando, pelo contrário coloquei em prática a minha filosofia de carpe diem ou de aproveitar o momento presente e ganhei um presente que foi esse dia.
Há quantos anos eu não fazia isso? Não teve fotografia de paisagem, mas teve um aproveitamento do agora, que é o único tempo que temos. Amanhã tem mais.

7º e último dia - 29 de setembro de 2025
Este foi o último dia na Patagônia Chilena, não é hora de dizer adeus, mas sim até breve, pois pretendo voltar no outono para apreciar junto com um grupo de fotógrafos (você aí que está lendo está convidado) todas as suas cores e nuances.
Saboreei o café da manhã do hotel comendo mais devagar que o normal, em estado de presença, fiz as malas, fiz checkout e parti rumo a Punta Arenas. Primeiro eu ia parar em Puerto Natales para abastecer e seguir viagem, mas antes de Puerto Natales, eu parei em uma cachoeira, bem próxima da estada, praticamente sem trilha.
Quando estava prestes a chegar vi um arco-íris e para mim, sempre que vejo um arco-íris é um sinal de boa sorte. Cheguei na cachoeira e assim que saí do carro começou a ventar mais forte e garoar mais forte. Ahh essa é a Patagônia com seu clima peculiar. Andei poucos metros no frio, a sensação térmica estava próxima de zero ou talvez até menos por causa da umidade. Estava receoso de pegar gelo na estrada e ficar escorregadio. Fiz uma foto apenas da cachoeira e segui viagem.
Abasteci em Puerto Natales e dei um até breve. Segui dirigindo e parei para almoçar um sanduíche e tomar café, parei em um lago que tinha uns flamingos, eram poucos e estavam muito distantes só uma teleobjetiva com uma distância focal muito grande poderia conseguir uma foto, mas o que me chamou a atenção foram as cercas e o lago ultrapassando elas como se para a água não houvesse divisões ou limites, ela permeia tudo, tudo isso no meio de muito vento e frio na estrada. Nariz escorrendo, mãos congeladas mesmo com a luva, corri para o carro liguei o ar quente para me recuperar e segui viagem até Punta Arenas.
Cinco locais mapeados para explorar em Punta Arenas, todos na costanera. O primero foi um muelle (pier) com várias gaivotas paradas. Esse pier se desdobrava em 2 e foi a minha primeira foto aqui. O sol tinha dado as caras, mas o vento não parava e tornava as minhas longas exposições um verdadeiro desafio. Tive que prender bem o tripé no solo e ficar fazendo uma barreira contra o vento protegendo a câmera.
Fui para o segundo local, devo ter colocado por engano pois não tinha nada lá, era um estacionamento. Foi quando eu vi o 2º arco-íris do dia, cada vez ficando mais forte e de repente fechou o arco-íris inteiro no céu. Um verdadeiro espetáculo, mas pena que não consegui registrar, pois estava no carro e não haviam vagas de estacionamento em nenhum local, muito movimentada a cidade hoje!
Desisti deste ponto e fui para o quarto local, um navio naufragado dessa vez com vento e garoa forte, mas ainda com sol e consegui finalmente voltar ao 3º ponto e fazer a foto de um pier de madeira de cima. Foi nesse momento que eu vi um pedacinho de um novo e pequeno arco-íris que se formava no horizonte. Era o 3º arco-íris do dia. Que dia! Consegui encaixar um pedacinho dele na primeira foto, mas ele sumiu muito rápido em minha longa exposição.
Corri para o último ponto, um pier velho próximo ao porto já. Aqui a chuva apertou bem e fiquei ensopado e com muito frio. A Fuji aguentou muito bem as condições de vento e garoa forte e sobreviveu. Aprovadíssima no quesito resistência ao clima. Foi a minha última foto da viagem, pois estava próximo do horário de eu estar no aeroporto.
Devolvi o carro, sentei para gravar a última parte do vídeo e escrever neste caderno. Nessa viagem tive muita sorte. Sorte de ter parceiro quando precisei, de ter amigos para compartilhar de alguns momentos, de ter um espaço sozinho também, de ter energia para enfrentar as condições e aproveitar cada momento vivido.
Obrigado por ter me acompanhado nesta jornada até aqui e se não assistiu o vídeo sobre este relato, eu deixo aqui abaixo para você me acompanhar visualmente.
Até breve em uma nova aventura.
Ale - 29/09/2025
Se preferir ouça ao podcast deste diário de viagem narrado por mim.

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