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Fotografando o Bike Series: Minha Experiência Autoral no Autódromo de Indaiatuba

  • Foto do escritor: Ale Rodrigues
    Ale Rodrigues
  • 28 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura
Ciclista de capacete pedala rápido numa estrada, em preto e branco infravermelho, com fundo desfocado e sensação de movimento.

Sempre fui movido pela vontade de fotografar livremente, sem a pressão de entregas ou briefings comerciais. No último final de semana, essa vontade me levou ao autódromo de Indaiatuba, onde acontecia o Bike Series, um evento esportivo de ciclismo de alta performance. Diferente das empresas especializadas em coberturas fotográficas como Foco Radical e Fotop, meu objetivo não era capturar cada atleta ou garantir cliques padronizados, mas sim explorar um olhar autoral e subjetivo sobre a prova.


Equipamento e Técnica


Para essa experiência, levei comigo dois setups distintos, cada um servindo a um propósito específico. Minha Samsung NX-300, convertida para infravermelho, equipada com uma lente 18-55mm e um filtro de 720nm, me permitiu registrar a paisagem de maneira surreal e contrastada. Já minha Canon R7, com a lente 18-50mm f/2.8, foi usada para explorar a técnica de panning e registrar o movimento dos atletas em longas exposições.


A Liberdade de Fotografar Sem Compromisso


Algo interessante aconteceu: consegui acesso como imprensa, o que me permitiu circular livremente pelo circuito. Isso abriu uma nova perspectiva para meu trabalho, me permitindo registrar ângulos pouco convencionais e explorar composições que fugiam do padrão das coberturas comerciais. Enquanto os fotógrafos contratados se concentravam em capturas estáticas e de reconhecimento fácil, eu me dediquei a registrar o “lado B” do evento – um lado mais artístico, abstrato e, de certa forma, oculto.


Clima e Atmosfera


O dia começou com um céu nublado, criando uma luz suave e homogênea. Esse cenário parecia ideal para minhas fotos infravermelhas, já que a ausência de sombras duras trazia ainda mais destaque para os contrastes da vegetação e da pista. No entanto, conforme a prova avançava, o sol surgiu com força, trazendo calor e brilho intenso. Isso me fez ajustar minha abordagem, aproveitando ao máximo o jogo de luz e sombra para realçar o dinamismo das imagens. Aproveitei para trocar para a Canon R7 e coloquei um filtro ND64 de 6 stops para produzir a sensação de rapidez dos ciclistas, na técnica de panning que eu utilizei eu usei o modo AI Servo da câmera e ia seguindo o ciclista, usando o estabilizador de imagem e clicando em modo de disparo contínuo.


Movimento em Todas as Fotos


Independente da câmera ou da técnica, um elemento foi constante em todas as minhas fotos: o movimento. O ciclismo é pura fluidez, e senti que a melhor maneira de capturá-lo era enfatizando a sensação de deslocamento e velocidade. Usei panning em praticamente todos os cliques, tanto nas imagens coloridas quanto nas infravermelhas. O efeito trouxe um caráter quase pictórico para algumas imagens, borrando o fundo e criando trilhas que davam ainda mais energia para as cenas.


Reflexão Final


Fotografar o Bike Series sem compromisso comercial foi uma experiência libertadora. Não havia a pressão de entregar um volume de imagens ou atender expectativas externas, apenas a vontade genuína de criar algo diferente. Em um evento onde o foco geralmente está na performance e no registro técnico dos atletas, pude explorar um olhar mais artístico e intuitivo, capturando a essência do movimento de uma forma pouco convencional. Foi um exercício criativo que me lembrou do motivo pelo qual comecei a fotografar: a busca pela expressão pessoal acima de tudo.



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