Fotografia e viver no presente
- Ale Rodrigues

- 18 de dez. de 2022
- 4 min de leitura

Um destes dias estava caminhando pela praia e me veio uma reflexão que inclusive me levou a fazer este vídeo do canal:
Quando eu decidi mudar de carreira, não era para ganhar mais dinheiro, não era para ter mais sucesso, não era para ter mais e mais, era justamente o contrário. Sei que muitas pessoas vão pensar que eu estava maluco quando decidi fazer isso.
Eu decidi abrir mão de ter um dinheiro constante todo mês e ganhado com muito stress e baixa qualidade de vida. Decidi fazer aquilo que me dava prazer, que fazia o tempo passar sem eu perceber, que conectava com minha alma, óbvio que fiz um bom planejamento financeiro caso desse errado eu voltaria a trabalhar como engenheiro mecânico. Mas o que eu almejava era qualidade de vida
Quando eu trabalhava em uma empresa multinacional como engenheiro e saía para fotografar ou surfar, que eram os dois hobbies que eu tenho até hoje, eu percebia que precisava cultivar mais esses pedaços de momentos únicos, em que eu me mantinha no presente, vivia bem, fazia bem e faz até hoje. Até hoje eu surfo e até hoje eu fotografo por pura diversão também, eu consegui manter isso que me mantinha são naquela época, andar na natureza, fazer fotos descompromissado, surfar e perder a noção do tempo (pergunte a um surfista como é a noção de tempo de estar no mar surfando).
Percebia isso e queria expandir isso para mais atividades em minha vida. Estar conectado com o que eu estava fazendo. Se eu estava fotografando, estava apenas pensando nisso e nada mais, se eu estava surfando, todos os problemas sumiam, se eu estava comendo, começava a apreciar mais a textura e o sabor da comida, quando estava tomando banho, a mesma coisa, uma sensação de relaxamento, tentei aplicar o mesmo conceito na empresa que eu trabalhava na época, mas vi que estava lutando contra, eu simplesmente não conseguia viver no momento presente trabalhando em um lugar com metas, prazos, correria pra cima e pra baixo, entregas, e acima de tudo, que não me dava prazer mais… Não que isso não exista na fotografia como profissão, mas é diferente. Quando virei a chave para fotografia profissional, fazia tudo com muito prazer (e ainda faço), pois mesmo tendo clientes solicitando fotos e vídeos com prazos, era uma maneira diferente, pois eu estava mais sobre o controle do que eu queria e o que eu não queria. E mesmo tendo que fazer tarefas administrativas, eu fazia com prazer e acima de tudo, aplicando o conceito de me conectar com aquilo que estava fazendo e por estar curtindo, funcionava!
Então passei a cultivar mais estes estados, inclusive nas minhas fotografias de longa exposição, que refletem muito isso, de estarmos conectados com o presente.
É só começar a fotografar, é só dar um pontapé inicial que começam a vir idéias de fotos, de fazer de tal maneira, de perceber como no vídeo acima as nuvens com um clarão em um momento específico e tentar mesclar com as ondas batendo na pedra que eu estava olhando. Tudo isso só aconteceu porque eu estava conectado apenas com isso e nada mais.
Viver no momento presente te traz mais conectividade com você mesmo, te traz mais criatividade em diversos aspectos da vida, então na próxima vez que sair para fotografar, seja na rua, num parque, numa praia, na natureza, nas montanhas, nas florestas, aprecie os sons, seja um contemplador contínuo, contemple movimentos, contemple sons, contemple contrastes, contemple o cheiro, contemple a luz. Um bom fotógrafo é um bom contemplador. E ao sair se faça a seguinte pergunta: Eu estou curtindo? Estou gostando de estar aqui? Como é a sensação? Porque gosto de fotografar isso ou aquilo deste ou daquele modo? Não se preocupe se não vierem respostas, o mais importante são as perguntas. Mas faça cada vez que sair, fotografe sem pressa, curta. Eu li um livro que falava que pelo menos 5 horas por mês de caminhada na natureza tem enormes benefícios na nossa saúde física e mental e que inclusive foram medidos por pesquisadores. O livro se chama: The Nature Fix, e você pode adquirí-lo por este link: https://amzn.to/3W97kdd
E um outro ponto que estes exercícios me levaram ao longo dos anos, foi que ao estar mais presente e contemplando essas situações que eu percebi que não precisamos de muito, apenas do essencial. Isso me trouxe uma atitude mais minimalista com relação a muitos aspectos na vida, desde roupas, tênis, tralhas e até um monte de equipamento fotográfico que não usava e só ocupava espaço, que fui me desfazendo. Não tenho nenhuma intenção de trocar de câmera e lentes pelos próximos anos, me blindando contra o consumismo exagerado e estou em constante questionamento sobre se vou usar isso mesmo ou não antes de comprar e assim hoje eu não quero mais ficar trocando de câmera só porque saiu um modelo novo, nem de lente, nem ficar adquirindo um monte de acessórios. A não ser claro que quebre devido ao desgaste natural.
No fundo, qualquer aparelho que registre a luz, e que escreva em bits (ou filme) e posteriormente em papel aquilo que eu senti e pude contemplar e pude compartilhar com outros, é suficiente.


Comentários