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Por que estou me afastando cada vez mais do Instagram

  • Foto do escritor: Ale Rodrigues
    Ale Rodrigues
  • 25 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura
Ícone do Instagram em degradê laranja/rosa, pixelando à direita sobre fundo roxo escuro.

Durante muitos anos, o Instagram foi o principal espaço onde eu compartilhava meu trabalho fotográfico. Estou lá desde 2011, era lá que eu postava minhas imagens mais recentes, interagia com colegas e acompanhava o que outros fotógrafos estavam produzindo. Mas com o tempo, esse espaço foi se transformando e não exatamente para melhor.


Hoje, sinto que estou em outra fase. Tenho me afastado cada vez mais do Instagram. E essa não é uma decisão impulsiva ou radical. É um movimento natural, resultado de uma percepção que venho cultivando ao longo do tempo: o Instagram já não é mais um ambiente fértil para quem busca profundidade, presença e troca real. Especialmente para quem faz fotografia com intenção.


O esgotamento da lógica algorítmica


A promessa inicial do Instagram, uma plataforma voltada para imagens foi, aos poucos, sendo soterrada pela lógica do engajamento. Likes, reels, stories, dancinhas, vídeos curtos, ganchos, ganchos e mais ganchos… A fotografia virou isca, virou pó, virou um milisegundo. E o que era espaço de contemplação virou um grande palco de performance e de vaidade.


O algoritmo não valoriza tempo, processo, intenção ou reflexão. Ele exige ritmo constante, visibilidade extrema e, sobretudo, superficialidade. Fotógrafos que trabalham com silêncio, lentidão, ou mesmo com abordagens autorais mais densas, acabam se sentindo deslocados ou invisíveis. Eu, pelo menos, me senti assim muitas vezes. E isso começou a me incomodar mais do que eu gostaria de admitir.


O Instagram se tornou um lugar onde a métrica importa mais do que a imagem. Onde o número de curtidas diz mais que a força de uma fotografia. Onde a arte se molda ao algoritmo e não o contrário. Isso, para mim, é adoecedor. E é também um desserviço para a fotografia.


O valor do tempo e da profundidade


Nos últimos meses, tenho percebido o quanto preciso de espaços onde o tempo é outro. Onde posso escrever com calma, refletir sobre o que estou criando, compartilhar ideias com quem realmente se importa. É por isso que tenho voltado meu foco para o blog + newsletter, para o YouTube, para o grupo de whatsapp (Instantes de luz) e, especialmente, para o Fotoclub.


Eu fiz um experimento e hoje já faz 1 mês que não coloco nada no instagram, dedico poucos minutos por dia para responder eventuais mensagens e avisar que estou em outros canais e só.


Escrever artigos me obriga a organizar ideias, a ir fundo em temas que me atravessam, a compartilhar experiências de maneira mais honesta e completa. É um processo que me conecta comigo mesmo e, ao mesmo tempo, cria pontes com quem lê, porque quem chega até aqui, como você agora, provavelmente compartilha do mesmo desejo por conteúdos mais densos, verdadeiros e humanos.


Consigo também ter mais tempo para leitura de livros e outras atividades (como por exemplo fotografar e planejar saídas).


O canal no YouTube também tem sido um refúgio criativo. Ali posso contar histórias, mostrar o processo por trás de cada imagem, refletir em voz alta sobre a fotografia e a vida. Não preciso ser rápido nem viral. Só preciso ser eu.


E o Fotoclub… bom, o Fotoclub é um capítulo à parte. É ali onde sinto que existe de fato uma comunidade. Um grupo de pessoas que compartilham interesses em comum, que trocam experiências, que se apoiam e que estão juntas por afinidade verdadeira, e não por conveniência algorítmica. Ali, a fotografia é praticada, vivida, discutida. E isso me dá sentido.


O que considero alternativas mais saudáveis


Se você é fotógrafo e anda se sentindo desconectado, frustrado ou até mesmo ansioso com o Instagram, saiba que você não está sozinho. E mais do que isso: há outros caminhos.


Aqui vão algumas alternativas que considero mais saudáveis para quem deseja manter viva sua relação com a fotografia:


Escreva mais: um blog, um diário, uma newsletter. Coloque em palavras o que move seu olhar. Escrever é fotografar com outro instrumento.


Crie vídeos com mais intenção: no YouTube é possível contar histórias com profundidade, explicar seus processos, inspirar de forma genuína.


Participe de comunidades reais: seja presencialmente ou em grupos menores, como no WhatsApp, busque por grupos que compartilhem ideias, propósitos, inquietações.


Imprima seu trabalho: fazer cópias físicas das suas imagens muda completamente a relação que temos com elas. É um respiro em meio ao digital.


Exponha seus trabalhos fora das redes: em exposições, zines, fotolivros, encontros. Mesmo que pequenos. O mundo não acontece só no Instagram.


Procure redes alternativas e sem algoritmos e anúncios: Um bom exemplo de rede social saudável é o VERO. Lá o foco é em fotografia e artes e em qualquer formato, o feed é cronológico e não tem algoritmos nem anúncios e você vê apenas aquilo que quer e de quem você admira e fica muito menos tempo lá.


Permita-se o anonimato: nem tudo precisa ser postado. Há um prazer imenso em fotografar só para você.


Um passo de cada vez


Não estou dizendo que o Instagram deve ser abandonado por completo, ele ainda pode ter sua utilidade, especialmente como vitrine pontual ou forma de contato. Mas acho importante repensar o lugar que ele ocupa em nossas rotinas criativas. Eu venho fazendo isso. E tem sido libertador. Faça um teste você. Vai no tempo de uso do seu celular e veja quanto tempo você tem estado diariamente no instagram na última semana. Não se assuste. Tome uma decisão já, a vida vai passando e aquele projeto vai sair do papel ou não?


Trocar o barulho da rede pelo silêncio de um texto, o feed pela caminhada solitária até o nascer do sol, o algoritmo pela conversa com alguém que realmente escuta… tudo isso tem me feito muito bem. Talvez possa fazer bem para você também.


Se quiser continuar me acompanhando, saiba que estou cada vez mais presente em outros espaços: no meu canal do YouTube, nos encontros do Fotoclub, nas newsletters que escrevo com carinho para você e, claro, aqui no blog.


Obrigado por estar aqui pois isso já diz muito sobre você também.

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