Como Melhorar a Composição Fotográfica e Desenvolver um Estilo Pessoal - Parte 4 de 4
- Ale Rodrigues

- 23 de jul.
- 4 min de leitura
Atualizado: 7 de ago.
Um guia para criar fotografias que expressem quem você é, e não apenas o que estava diante da câmera

O retorno ao seu próprio olhar
Ao longo desta série falamos sobre luz, cor, linhas, formas, espaço negativo, técnica, repertório e linguagem visual. Todos esses elementos são importantes, mas existe uma pergunta que permaneceu silenciosamente acompanhando cada capítulo e que inclusive já até fiz um vídeo no canal. Por que fotografamos?
Pode parecer uma pergunta simples, mas acredito que ela seja muito mais difícil do que decidir qual lente levar na mochila ou qual abertura utilizar. Esta é A PERGUNTA. Quando comecei a fotografar, imaginava que a fotografia era uma forma de registrar lugares, depois pensei que fosse uma forma de produzir belas imagens, mais tarde, acreditava que fosse uma maneira de aperfeiçoar uma técnica e hoje vejo tudo isso como consequência. A fotografia tornou-se, para mim, uma maneira de prestar atenção, me ensinou a caminhar mais devagar, a observar mudanças quase imperceptíveis na luz, a voltar inúmeras vezes ao mesmo lugar sem esperar encontrar exatamente a mesma paisagem, me ensinou que nenhuma montanha permanece igual, que nenhum mar é exatamente o mesmo e principalmente, que eu também não sou.
A composição não acontece apenas dentro da fotografia
Existe uma tendência natural de imaginar que a composição começa quando olhamos através do visor da câmera. Acredito exatamente no contrário, ela começa muito antes, começa naquilo que escolhemos observar:
Nos livros que lemos.
Nos filmes que assistimos.
Nas conversas que temos.
Nas viagens.
Na música.
Na arquitetura.
Na pintura.
Na filosofia.
Na maneira como atravessamos uma cidade.
Na forma como olhamos pela janela durante uma manhã chuvosa.
Tudo isso reorganiza nosso olhar, quando finalmente levantamos a câmera, a fotografia já começou há muito tempo, a câmera apenas torna visível algo que já vinha sendo construído dentro de nós.
O estilo pessoal não é uma invenção
Muitos fotógrafos passam anos tentando criar um estilo, talvez a pergunta correta seja outra, o que preciso retirar para que meu estilo apareça?
Retirar a necessidade de agradar.
Retirar a ansiedade de publicar.
Retirar a comparação constante.
Retirar a obsessão por equipamentos.
Retirar o medo de repetir temas.
Retirar a preocupação em seguir tendências.
Pouco a pouco sobra algo, e esse algo é justamente aquilo que sempre esteve presente:
Sua maneira de olhar.
Seu ritmo.
Sua sensibilidade.
Sua relação com a luz.
Seu silêncio.
Seu modo de contar histórias.
Sua resposta a pergunta: por que eu fotografo?
Seu estilo estava soterrado por muitas referências externas.
A verdadeira viagem do fotógrafo
Desde criança sou fascinado pela mitologia grega, entre todas as histórias, poucas me marcaram tanto quanto a de Odisseu. À primeira vista, sua jornada parece ser apenas uma aventura repleta de monstros, tempestades e desafios, mas olhando com mais atenção, percebemos que ela fala sobre algo muito mais profundo. Ela fala sobre o retorno para casa, não apenas uma casa geográfica, mas o retorno para aquilo que somos, a fotografia me parece seguir exatamente o mesmo caminho, no início queremos conhecer todos os lugares, fotografar tudo, experimentar todas as técnicas, copiar referências, comprar novos equipamentos. É uma fase importante, mas chega um momento em que a jornada muda de direção; percebemos que não estamos mais procurando um novo lugar para fotografar, estamos procurando uma nova maneira de olhar, essa sim é a maior descoberta que a fotografia pode oferecer.
A viagem que realmente transforma não acontece entre montanhas, desertos ou oceanos, ela acontece entre aquilo que o mundo mostra e aquilo que você é capaz de perceber, no fim, toda grande fotografia é, de alguma forma, um autorretrato. Mesmo quando o fotógrafo nunca aparece nela.
Continue fazendo perguntas
Se existe um conselho que gostaria de deixar, não seria sobre composição, nem sobre equipamentos, nem sobre edição.
Seria este:
Continue curioso.
Continue voltando aos mesmos lugares.
Continue estudando pintura.
Leia literatura.
Visite museus.
Assista a filmes.
Converse com pessoas diferentes.
Observe arquitetura.
Caminhe sem câmera.
Fotografe menos e olhe mais.
Porque a técnica melhora com prática, mas o olhar amadurece com a vida, e essa construção nunca termina. e isso que torna a fotografia tão fascinante, sempre existe uma nova imagem esperando para ser descoberta, não precisa ser um lugar distante, mas dentro da maneira como você aprende a enxergar o mundo.
A fotografia é uma conversa
Durante muitos anos acreditei que fotografar era um processo solitário, mas hoje penso diferente, o olhar amadurece quando encontra outros olhares, quando mostramos nossas fotografias, quando ouvimos interpretações diferentes daquelas que imaginávamos, quando percebemos que uma imagem pode significar algo completamente distinto para outra pessoa.
Foi justamente por acreditar nisso que nasceu o Fotoclub Ale Rodrigues, uma comunidade de fotógrafos interessados em desenvolver uma linguagem visual própria.
Todos os meses nos reunimos para conversar sobre fotografia, analisar imagens, realizar exercícios criativos, estudar grandes autores e, principalmente, aprender a olhar com mais profundidade.
Porque acredito que evoluímos muito mais rapidamente quando fazemos parte de uma comunidade que compartilha a mesma inquietação.
Se este artigo despertou em você a vontade de construir fotografias mais pessoais, imagens que expressem não apenas o lugar onde você esteve, mas também quem você é, talvez seja a hora de dar o próximo passo. Será um prazer caminhar nessa jornada ao seu lado!
Continue sua jornada
Se este artigo fez sentido para você, talvez estes conteúdos também despertem seu interesse:
A Odisseia Fotográfica: Quando fotografar também é um caminho de volta para casa
Expedições Fotográficas: experiências em que a paisagem se transforma em um espaço para desenvolver o olhar.
Workshops Presenciais: encontros dedicados à prática, técnica e percepção da fotografia em campo.
E, se você procura um acompanhamento contínuo, com desafios, encontros mensais, saídas fotográficas e conversas profundas sobre fotografia autoral, conheça o Fotoclub Ale Rodrigues.
Encontrar um estilo pessoal não acontece em um único artigo, nem em um único workshop. É um caminho.
E caminhos são melhores quando percorridos em boa companhia.
Obrigado por ler tudo isso até aqui.
Forte abraço
Ale




Li com muita atenção o artigo todo (4 partes). Reflexões profundas que me fizeram repensar uma série de situações: devo sim me dedicar à técnica, mas chegará uma hora em que quanto menos tempo eu dedicar a ela, mais tempo terei para observar a luz; a importância da intenção: o que quero transmitir com o clique? O artigo é bem completo e na verdade me estimulou a continuar nesse belo caminho da fotografia. Parabéns Ale pela preciosidade e por mais esses ensinamentos!